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Lugares, eventos, pessoas, recantos e detalhes de São Paulo
sob a ótica de uma fotógrafa apaixonada pelas múltiplas faces de sua cidade.

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15/07/2015

PARQUE DA JUVENTUDE: o fim do presídio Carandiru



Tendo nascido e me criado no bairro de Santana, na zona norte paulistana, uma das cenas comuns ao meu dia-a-dia era ver, a caminho do centro da cidade e através das janelas do metrô, o complexo penitenciário do Carandiru. Não era uma visão agradável e eu me perguntava muitas vezes como seria a vida lá dentro... 

O presídio, construído em 1920, chegou a ser considerado o maior da América Latina, e no auge da sua superlotação abrigou cerca de 8 mil detentos, ficando estigmatizado pelas condições desumanas, violência extrema e rebeliões.

Muitos escritores, músicos, cineastas, e até uma exposição fotográfica de Maureen Bisilliat foram inspirados por esse lugar ao mesmo tempo lúgubre e intensamente pulsante de reinvindicações. O rap dos Racionais MCs, "Diário de um detento", ficou famoso em todo o Brasil, bem como o livro de Dráusio Varella, "Estação Carandiru" (que foi transportado para as telas de cinema com o filme de Hector Babenco)... até mesmo a série de tv americana Prision Break foi inspirada na Casa de Detenção de São Paulo (nome oficial do Carandiru) e na penitenciária de San Pedro - Bolívia. 

Em 2 de outubro de 1992 aconteceu a tragédia que viria a ser conhecida pela imprensa e população em geral como o Massacre do Carandiru, quando a intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo para conter uma rebelião causou a morte de 111 detentos. 

Finalmente em 2002 decidiu-se pela desativação e demolição do complexo, dando lugar ao que é hoje o Parque da Juventude. Em seu terreno estão também a Biblioteca São Paulo (uma referência em acessibilidade aos deficientes) e duas escolas técnicas estaduais, as ETEC (a de Artes e a Parque da Juventude), que ocupam dois antigos pavilhões do presídio que foram reformados para esse fim.


No parque, que conta com quadras de esporte e pistas de skate, ainda é possível ver os primeiros alicerces (abandonados) do que seria o Carandiru II, que serviria para ampliar os prédios já existentes. Esses alicerces hoje se integram à paisagem misturando-se às árvores do parque, formando um pequeno bosque surreal. Também lá está uma parte da muralha externa do presídio, com uma passarela de vigia na qual se pode caminhar e ter acesso por escadas feitas com metal extraído da demolição. Considero esses detalhes como um tributo à história da nossa cidade, que não deve ser esquecida sob pena de repetirmos erros do passado. Da mesma forma a manutenção do nome "Carandiru" para a estação de metrô adjacente é, ao meu ver, acertada.
Ao leitor mais atento e curioso sobre detalhes históricos, arquitetônicos e sociais envolvidos, deixei links em cada termo deste texto que figuram em negrito. Basta clicar sobre as palavras.
Para visitar o parque com transporte coletivo você deve pegar a Linha 1-Azul do metrô e descer na estação Carandiru.

Confira os clicks do SP-seety:

vista do marco de entrada do Parque da Juventude com a estação de metrô ao fundo

na Avenida Cruzeiro do Sul, onde se localiza a entrada do parque e a estação do metrô, há uma ciclovia
e também pode ser vista uma imensa exposição de graffitis a céu aberto, nos pilares que sustentam os trilhos.

arquitetura da Biblioteca São Paulo (BSP), moderna e acessível aos deficientes


entrada da Biblioteca São Paulo na área frontal do Parque, com seus tipos em tamanho gigante


vista do edifício da ETEC, escola técnica estadual dentro do Parque

área verde do parque, muito arborizada e com leves colinas projetadas para tornar o local mais atraente


grandes gramados e lazer garantido para adultos e crianças


um sino indica o Marco da Paz no local onde antes predominava a violência

adolescentes passeiam ao lado da estátua do Peregrino



O governo local da região espanhola de Castilla y León doou ao Parque da Juventude, na Capital, a estátua O Peregrino, feita em homenagem às pessoas que percorrem o Caminho de Santiago de Compostela, naquele país. A obra, uma réplica da que existe na Praça de São Marcos, em León, mostra em tamanho natural um homem sentado, descansando da enorme viagem que pode ultrapassar 500 quilômetros, dependendo do trajeto escolhido e do ponto de partida.



ensaio de fanfarra escolar no pátio em frente à BSP


atividades musicais para jovens em frente ao edifício da ETEC


área cercada para levar seu animal de estimação e soltá-lo para brincar com outros cães


play-ground com chão de areia para a criançada


slackline (andar sobre corda bamba) nas árvores do parque


mural/graffiti na parede de uma das lanchonetes existentes no parque


treinando malabares


área da quadras de esportes


quadra de tênis


quadra de futebol de salão


rampas de skate


skatista na rampa

namorados curtindo o parque

casal passeia ao longo da muralha original do presídio

vista da parte superior da muralha original do presídio, onde é possível caminhar


visitantes percorrendo a parte superior da muralha original do presídio


escadas de acesso à muralha, construídas em ferro e madeira



Visto do alto da muralha original do presídio, o córrego Carandiru possui cerca de 6km de extensão e nasce às encostas da Avenida Tucuruvi, onde passa canalizado subterraneamente pelo bairro da Parada Inglesa e sob as Avenidas Luís Dumont Villares e a Avenida General Ataliba Leonel, até chegar em Santana, onde corta o Parque da Juventude e o centro da Avenida Moysés Roysen, até desaguar no Rio Tietê. Forma uma microbacia de cerca de 8km² que se estende pela metade Sul de Santana, Parada Inglesa, Vila Dom Pedro II, Jardim São Paulo, Vila Isolina, Carandiru, Anhembi e boa parte da Vila Guilherme, especialmente a parte norte. É uma pena que ele esteja tão poluído e degradado, pois seria uma atração maior ainda dentro do parque se suas águas fossem cristalinas. De toda forma é preciso que conheçamos os mananciais hídricos de nossa cidade para resgatá-los futuramente, como parte de uma tomada de consciência ambiental e uma cidade mais habitável.


córrego Carandiru e parte da muralha original do presídio


passarelas de acesso à muralha original do presídio


vista do alto da muralha


passarela em meio às árvores e alicerces do antigo presídio


passarela em meio às árvores e alicerces do antigo presídio


alicerces das celas do antigo presídio convivem com as árvores num bosque inusitado


alicerces das celas do antigo presídio convivem com as árvores num bosque inusitado


uma das celas originais do antigo presídio, inacabada e permanecendo como um marco memorial



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2 comentários:

  1. Maravilha!!! Excelente qualidade de http://sp-seety.blogspot.com.br

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  2. obrigada Diogenes!!
    sempre uma alegria receber sua visita :)

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