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Lugares, eventos, pessoas, recantos e detalhes de São Paulo
sob a ótica de uma fotógrafa apaixonada pelas múltiplas faces de sua cidade.

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Se quiser compartilhar, por favor cite a fonte para que mais pessoas possam visitar.

31/07/2015

Drops do SP-seety: OS GÊMEOS e o avião graffitado








Esta postagem inaugura os DROPS do SP-seety, que serão algumas postagens curtas entremeando o blog, mas com fatos/pessoas/locais tão significativos quanto as postagens maiores - porém com maior agilidade de publicação, acompanhadas (como de costume) com texto explicativo, fontes de pesquisa, sites, etc...

Esta estréia foi inspirada no graffiti de Os Gêmeos feito no avião da GOL por ocasião da Copa do Mundo de 2014, e que por um feliz acaso tive oportunidade de embarcar em uma viagem voltando de Floripa. A foto neste caso é pretexto para que vocês conheçam um pouco mais do trabalho desses dois irmãos paulistanos, pois foi feita com o celular a partir da plataforma de embarque de Congonhas, através do vidro e à noite... portanto com qualidade muuuuito questionável.

Segundo a biografia do site oficial dos rapazes: 

OS GEMEOS (1974, São Paulo, Brasil), Gustavo e Otávio Pandolfo, sempre trabalharam juntos. Quando crianças, nas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), desenvolveram um modo distinto de brincar e se comunicar através da arte. Com o apoio da família, e a chegada da cultura Hip Hop no Brasil nos anos 80, OSGEMEOS encontraram uma conexão direta com seu universo mágico e dinâmico e um modo de se comunicar com o público. Exploravam com dedicação e cuidado as diversas técnicas de pintura, desenho e escultura, e tinham as ruas como seu lugar de estudo.

Sobre a pintura do avião, o UOL Esporte informava, na época: A pintura antiga foi raspada e o spray aplicado. Depois é passado um verniz para proteger contra os raios UVA e UVB. 
A previsão inicial era de levar 15 dias para concluir o serviço, mas tudo acabou em uma semana. O processo consumiu cerca de 1,2 mil latas de spray. As asas não foram pintadas por questão de segurança. O cinza foi mantido porque é mais fácil de detectar problemas como vazamentos ou danos. A preocupação dos gêmeos era outra, fazer do avião uma obra de arte. "A gente transformou o hangar num ateliê", resume Otávio. Ele explica que a ideia nasceu há cerca de um ano e foi apresentada à Gol, que aceitou. Desta maneira, os artistas esperam atenuar o clima sisudo dos aeroportos. "Queremos quebrar um pouco a rotina, fazer as pessoas se distraírem", diz Gustavo. Antes de por a mão na massa, a dupla fez um esboço de projeto, mas durante a execução novidades apareceram. As imagens nas turbinas estão neste grupo. As duas turbinas têm a figura de uma pessoa e há uma razão para isso. "A turbina tem uma pessoa deitada. Resolvemos colocar a cabeça ali porque é o que faz o avião se mexer e a cabeça é o que faz tudo se mover".

Os Gemeos no Facebook: 
https://www.facebook.com/pages/Os-Gemeos/207835592677428?ref=ts&fref=ts
Dá para conferir também nesta entrevista deles no yotube:


15/07/2015

PARQUE DA JUVENTUDE: o fim do presídio Carandiru



Tendo nascido e me criado no bairro de Santana, na zona norte paulistana, uma das cenas comuns ao meu dia-a-dia era ver, a caminho do centro da cidade e através das janelas do metrô, o complexo penitenciário do Carandiru. Não era uma visão agradável e eu me perguntava muitas vezes como seria a vida lá dentro... 

O presídio, construído em 1920, chegou a ser considerado o maior da América Latina, e no auge da sua superlotação abrigou cerca de 8 mil detentos, ficando estigmatizado pelas condições desumanas, violência extrema e rebeliões.

Muitos escritores, músicos, cineastas, e até uma exposição fotográfica de Maureen Bisilliat foram inspirados por esse lugar ao mesmo tempo lúgubre e intensamente pulsante de reinvindicações. O rap dos Racionais MCs, "Diário de um detento", ficou famoso em todo o Brasil, bem como o livro de Dráusio Varella, "Estação Carandiru" (que foi transportado para as telas de cinema com o filme de Hector Babenco)... até mesmo a série de tv americana Prision Break foi inspirada na Casa de Detenção de São Paulo (nome oficial do Carandiru) e na penitenciária de San Pedro - Bolívia. 

Em 2 de outubro de 1992 aconteceu a tragédia que viria a ser conhecida pela imprensa e população em geral como o Massacre do Carandiru, quando a intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo para conter uma rebelião causou a morte de 111 detentos. 

Finalmente em 2002 decidiu-se pela desativação e demolição do complexo, dando lugar ao que é hoje o Parque da Juventude. Em seu terreno estão também a Biblioteca São Paulo (uma referência em acessibilidade aos deficientes) e duas escolas técnicas estaduais, as ETEC (a de Artes e a Parque da Juventude), que ocupam dois antigos pavilhões do presídio que foram reformados para esse fim.


No parque, que conta com quadras de esporte e pistas de skate, ainda é possível ver os primeiros alicerces (abandonados) do que seria o Carandiru II, que serviria para ampliar os prédios já existentes. Esses alicerces hoje se integram à paisagem misturando-se às árvores do parque, formando um pequeno bosque surreal. Também lá está uma parte da muralha externa do presídio, com uma passarela de vigia na qual se pode caminhar e ter acesso por escadas feitas com metal extraído da demolição. Considero esses detalhes como um tributo à história da nossa cidade, que não deve ser esquecida sob pena de repetirmos erros do passado. Da mesma forma a manutenção do nome "Carandiru" para a estação de metrô adjacente é, ao meu ver, acertada.
Ao leitor mais atento e curioso sobre detalhes históricos, arquitetônicos e sociais envolvidos, deixei links em cada termo deste texto que figuram em negrito. Basta clicar sobre as palavras.
Para visitar o parque com transporte coletivo você deve pegar a Linha 1-Azul do metrô e descer na estação Carandiru.

Confira os clicks do SP-seety:

vista do marco de entrada do Parque da Juventude com a estação de metrô ao fundo

na Avenida Cruzeiro do Sul, onde se localiza a entrada do parque e a estação do metrô, há uma ciclovia
e também pode ser vista uma imensa exposição de graffitis a céu aberto, nos pilares que sustentam os trilhos.

arquitetura da Biblioteca São Paulo (BSP), moderna e acessível aos deficientes


entrada da Biblioteca São Paulo na área frontal do Parque, com seus tipos em tamanho gigante


vista do edifício da ETEC, escola técnica estadual dentro do Parque

área verde do parque, muito arborizada e com leves colinas projetadas para tornar o local mais atraente


grandes gramados e lazer garantido para adultos e crianças


um sino indica o Marco da Paz no local onde antes predominava a violência

adolescentes passeiam ao lado da estátua do Peregrino



O governo local da região espanhola de Castilla y León doou ao Parque da Juventude, na Capital, a estátua O Peregrino, feita em homenagem às pessoas que percorrem o Caminho de Santiago de Compostela, naquele país. A obra, uma réplica da que existe na Praça de São Marcos, em León, mostra em tamanho natural um homem sentado, descansando da enorme viagem que pode ultrapassar 500 quilômetros, dependendo do trajeto escolhido e do ponto de partida.



ensaio de fanfarra escolar no pátio em frente à BSP


atividades musicais para jovens em frente ao edifício da ETEC


área cercada para levar seu animal de estimação e soltá-lo para brincar com outros cães


play-ground com chão de areia para a criançada


slackline (andar sobre corda bamba) nas árvores do parque


mural/graffiti na parede de uma das lanchonetes existentes no parque


treinando malabares


área da quadras de esportes


quadra de tênis


quadra de futebol de salão


rampas de skate


skatista na rampa

namorados curtindo o parque

casal passeia ao longo da muralha original do presídio

vista da parte superior da muralha original do presídio, onde é possível caminhar


visitantes percorrendo a parte superior da muralha original do presídio


escadas de acesso à muralha, construídas em ferro e madeira



Visto do alto da muralha original do presídio, o córrego Carandiru possui cerca de 6km de extensão e nasce às encostas da Avenida Tucuruvi, onde passa canalizado subterraneamente pelo bairro da Parada Inglesa e sob as Avenidas Luís Dumont Villares e a Avenida General Ataliba Leonel, até chegar em Santana, onde corta o Parque da Juventude e o centro da Avenida Moysés Roysen, até desaguar no Rio Tietê. Forma uma microbacia de cerca de 8km² que se estende pela metade Sul de Santana, Parada Inglesa, Vila Dom Pedro II, Jardim São Paulo, Vila Isolina, Carandiru, Anhembi e boa parte da Vila Guilherme, especialmente a parte norte. É uma pena que ele esteja tão poluído e degradado, pois seria uma atração maior ainda dentro do parque se suas águas fossem cristalinas. De toda forma é preciso que conheçamos os mananciais hídricos de nossa cidade para resgatá-los futuramente, como parte de uma tomada de consciência ambiental e uma cidade mais habitável.


córrego Carandiru e parte da muralha original do presídio


passarelas de acesso à muralha original do presídio


vista do alto da muralha


passarela em meio às árvores e alicerces do antigo presídio


passarela em meio às árvores e alicerces do antigo presídio


alicerces das celas do antigo presídio convivem com as árvores num bosque inusitado


alicerces das celas do antigo presídio convivem com as árvores num bosque inusitado


uma das celas originais do antigo presídio, inacabada e permanecendo como um marco memorial



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12/07/2015

Saraus & Comunidades Culturais: QUILOMBAQUE, de Perus




Começo esta matéria com a definição presente no próprio blog da comunidade: "A Comunidade Cultural Quilombaque é uma organização sem fins lucrativos que surgiu em 2005, a partir da iniciativa de um grupo de jovens, moradores de Perus, bairro periférico situado na zona noroeste de São Paulo e que concentra os piores índices socioeconômicos e culturais, onde as maiores vítimas são os jovens. Conheça, participe e agregue ideias. As portas estão sempre abertas."

A maior dificuldade neste post foi exatamente em quais atividades e quais imagens focar prioritariamente para que fosse apresentado um panorama enxuto porém razoavelmente abrangente sobre essa incrível comunidade que é uma verdadeira aula de resistência cultural na periferia de São Paulo.

Conheci o Quilombaque em meados de 2010 e tenho em meu arquivo centenas de registros das muitas vezes que estive lá, dentre as quais se incluem a mostra fotográfica de tres trabalhos autorais meus, e os lançamentos de duas edições da Revista Rebosteio, da qual fiz parte como co-editora.

Atualmente o Quilombaque passa por uma grande reforma em suas instalações, nos moldes Permaculturais e com aproveitamento de materiais reciclados e estruturas de adobe, como poderão conferir visitando sua página no Facebook... porém as fotos aqui apresentadas são parte de um acervo de eventos e atividades fotografadas anteriormente a essa reforma. Em breve o SP-seety pretende voltar lá e registrar todas as novidades.

A agenda permanente nas sextas feiras a partir das 20:00 horas fica por conta do Sarau D'Quilo, mas durante todos os finais de semana acontecem apresentações de bandas locais ou convidadas, teatro, circenses, oficinas de todos os tipos (de permacultura a preparação de projetos culturais), debates, mostras de filmes,  rodas de batuque, festivais de graffiti, etc... 

Como eu disse, o difícil mesmo é encontrar o que eles não fazem!!

Para chegar lá com transporte coletivo, você deve pegar o trem da CPTM linha Rubi-7, que sai da Estação da Luz em direção a Francisco Morato, e descer em Perus. O Quilombaque é vizinho da estação de trem, portanto muito fácil de encontrar.

Blog do Quilombaque: 
http://comunidadequilombaque.blogspot.com.br/

Quilombaque no Facebook:
https://www.facebook.com/quilombaque?fref=ts

Esta é a primeira de uma série de postagens sobre os Saraus e Comunidades Culturais em Sampa, tanto da periferia quanto do centro, que o SP-seety vai trazer intercalando com outras postagens... então, continue nos acompanhando!

Confira uma pequena mostra das atividades do QUILOMBAQUE e sua gente bonita:


o Bar do Quilombaque, onde você pode tomar uma cervejinha e comer salgadinhos e bolos caseiros enquanto curte as atividades


durante o Sarau D'Quilo, a criançada também começa a ter intimidade com os livros


o som rolando durante o Sarau D'Quilo... no cajón está José Soró, grande mentor da comunidade, e tocando a caixa está o principal coordenador das atividades,  Dedê.


um grande acervo de livros na biblioteca comunitária fica disponível a qualquer visitante


jogo de xadrez


regando a horta permacultural


moçada chegando para as oficinas e shows


turma da oficina de quadrinhos em plena atividade


alguns visitantes da mostra de fotografia 


debates e apresentações durante a mostra de fotografia


teatro e performances


oficina de maquiagem


o sorriso e a resistência cultural da periferia


venda de bonecas negras


no telão em meio às bananeiras da horta, projeção do filme Ashes & Snow, de Gregory Colbert


artistas convidados durante a Noite Jamaicana, repassando o som na mesa do DJ


show na Noite Jamaicana


galera dançando reggae durante a Noite Jamaicana


Dedê filmando as performances do graffiti durante o Festival Internacional Essência.


















" O coletivo Essência é uma iniciativa de artistas independentes que exploram a importância da arte como instrumento de ganho comunitário e social, criando intercâmbios entre artistas de diferentes países. O grupo reúne o conhecimento de diferentes culturas como Brasil, Chile, Argentina, República Dominicana e Canadá, mas sempre abertos à integração de outros povos em seu meio.
Tem raízes na arte urbana, que compreende muralismos, graffiti e design gráfico. O grupo esteve presente na América, Europa, África e Oriente Médio, com oficinas comunitárias cuja experiência demonstra aos jovens que a arte pode romper fronteiras, preconceitos, ser uma forma de expressão, de geração de renda e conhecimento cultural, integrando-se e mantendo a própria essência."

Festival Internacional Essência: graffiti nos muros externos do Quilombaque


começando o graffiti no Festival Internacional Essência


diferentes estilos no Festival Internacional Essência


participação de Bonga Mac no Festival Internacional Essência


nem o temporal passageiro diminuiu o pique da galera do graffiti durante o Festival Essência


em cima dos pallets depois do temporal e dando continuidade aos graffitis


Kemp Ndao, artista convidado do Senegal para o Festival Essência


participação de Vespa Crew no Festival Essência


Shalak: presença feminina internacional no graffiti do Festival Essência


celebrando o hip-hop: dançando break durante o Festival Essência


celebrando o hip-hop: dançando break durante o Festival Essência




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